Diário de um poeta
poemas e textos sobre tudo e nada

Sáb, 27 Nov 2004

Perfeição

Hoje via noite perfeita
Céu todo da mesma cor
Nem um defeito brilhante
Nem um laivo de calor

Sei que é falsa a perfeição
Assim como a realidade

Não há vida sem pecado
Acto sem caldo entornado
Vivo que não fique cansado
Pitéu que não passe a estragado

Nesta longa eternidade...

27/11/2004 - 21h07

[21:07] | 0 comentário(s)

Eles

Desafiando o destino
Por loucura ou vocação
Ignoram o desalinho
Demonstram pouco tino
Pensam com o coração

Esperam na vida crescer
Desafios ultrapassar
E em cada dia recolher
Algo para não esquecer
E eternamente relembrar

Sem um fixo objectivo
Recusam-se a parar
Passando tudo pelo crivo
Do passado mais sentido
Que não querem repassar

Sentem-se arautos da vida
Que admiram sem temer
Porque não a querem perdida
Nem a sua posse desmentida
Na eterna busca de viver

27/11/2004 - 20h58

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Vidas

Tomaram como sua a vida
Cada hora
Cada segundo
Cada momento

Almejaram a visão prometida
Muito embora
Fosse profundo
O seu tormento

Foram ao âmago da alma despida
Deitar fora
No fundo
O seu desalento

Decidiram tomar a sua medida
Que transborda
De fecundo
Sentimento

21/11/2004 - 20h14

[20:14] | 0 comentário(s)

Retrato

Louco
Por ter ideias
E a audácia de as realizar

Doido
Por ser como é
E a falsidade recusar

Idiota
Por confiar
E nos outros acreditar

Incompetente
Por cometer erros
E sempre voltar a tentar

Incoerente
Por aprender
E de opinião mudar

Ensandece meio mundo
com sua forma de viver
Ignoram algo profundo
O segredo de vencer

27/11/2004 - 00h47

[00:47] | 0 comentário(s)

Qui, 25 Nov 2004

Neblina Nocturna

Pairas sobre a doce Lisboa
Com medo de quem te quer ver
Mostra-te à luz que entoa
Um canto de adormecer

Cobres a pele dos cansados
Que percorrem estas ruas
Deixas a todos encharcados
Com a água que flutuas

Com os ventos enregelados
Não há roupa que nos proteja
Dos teus dedos gelados
Que chegam onde não se deseja

E acelerando o passo
A minha casa destinado
Um novo esforço faço
Para novo calor acalentado

25/11/2004 - 00h47

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Ter, 23 Nov 2004

Horários Esvoaçantes

Horas marcadas, em princípio
Justamente mudadas, que suplício

Horas esvoaçantes que nunca aterram
Fogem pedantes no segredo que encerram

Até que é tarde demais
Passaram as horas fatais

E ficamos nós a esvoaçar
Tentando por este mundo passar

Vendo as horas a passar
Gentilmente a mudar

Levando com elas a paciência
Deixando em nós a demência

De quem já não aguenta
Do gerir horas a tormenta

23/11/2004 - 15h55

[15:55] | 0 comentário(s)

Sex, 12 Nov 2004

Guerras

Guerras que tenho comigo mesmo
Inúteis
Estúpidas
Petrificadoras

Guerras sobre coisas passadas
Antes
Passadas
Imutáveis

Guerras entre quem sou e gostava de ser
Antes
Hoje
Amanhã

12/11/2004 - 12h47

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Seg, 01 Nov 2004

Despedida

Chegou a hora da partida
Desta aventura inusitada
Está na hora da despedida
De uma actividade já passada

E no retorno a cada casa
Daqueles para quem casa é a vida
Recuperam-se forças necessárias
A uma vivência destemida

1/11/2004 10h50

[10:50] | 0 comentário(s)

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João Miguel Neves
Poeta e escritor
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